+jabá!

Um jornalístico organizado por alunos do curso de Comunicação Social da UFC

Há que mudar, mas sem perder a essência jamais

Acompanhe a retrospectiva da história da Rádio Universitária pelas mãos de Débora Medeiros, repórter deste +jabá, pesquisadora e ouvinte da emissora

por Débora Medeiros (8J)

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FOTOS Lara Vasconcelos

A Rádio Universitária entrou no ar no dia 15 de outubro de 1981, depois de um mês de testes e pelo menos dois anos de articulações políticas – um jeito bonito de dizer que foi preciso muito jogo de cintura pra colocar no ar, em plena ditadura, uma emissora com coragem de abrir o microfone para vozes da esquerda, movimentos sociais, sindicatos, acadêmicos, artistas e estudantes.

Transmitindo direto da Reitoria de uma universidade federal – embora, por essas coisas da vida e das legislações em tempos autoritários, pertença formalmente à Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC), entidade privada – ela fez dos saberes de professores e estudantes sua matéria prima, arrebanhando colaboradores e transformando bolsistas em profissionais. De tão apaixonados, estes últimos viraram funcionários e trabalham lá até hoje, cada um dono de uma história pessoal rica, inevitavelmente entrelaçada à da emissora que os acolheu na juventude.

Vindos de uma geração que fez questão de combater o regime militar, em passeatas, ocupações, apurações jornalísticas e seleções musicais, eles lutaram outras tantas batalhas para manter a Rádio aberta por 28 anos, em breve 30. A primeira foi quando o reitor José Anchieta Esmeraldo Barreto, que tomou posse em 1983, decidiu fechar o setor de jornalismo da emissora. Muitos funcionários foram transferidos para outros setores da UFC, onde não se sentiriam em casa e, assim, não poderiam desafiar ninguém. Outros permaneceram na emissora, com aquela sensação incômoda de que algo estava faltando. Mas foi só Anchieta deixar o poder, substituído pelo professor Hélio Leite, que eles não demoraram a assumir as antigas funções e retomar a liberdade de expressão roubada, agora em uma casa nova – aquela que a maioria de nós conhecemos, na avenida da Universidade, 2910.

Depois, veio o governo Collor, que, entre os funcionários da Rádio Universitária, não é lembrado “apenas” pelo confisco das cadernetas de poupança e pelo impeachment. Foi também enquanto o alagoano estava no poder que foi extinto o Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa (Sinred), o que acarretou o fechamento de emissoras universitárias em todo o país. Para que o mesmo não acontecesse com a nossa, bolsistas, funcionários, colaboradores e admiradores foram às ruas e organizaram atos para que a Rádio Universitária continuasse de portas abertas.

colagem 2Já em 2006, pleno governo Lula, um susto: os jeitinhos usados para driblar a ditadura acabaram cobrando seu preço. A Rádio Universitária foi considerada irregular pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e fechou as portas por alguns meses. A situação foi contornada logo, quando o status que a emissora já exercia antes, o de abrigo para diversos projetos de extensão da UFC, foi formalizado. Surgiu o Nuproex (Núcleo de Divulgação em Radiodifusão de Programas em Extensão da Universidade Federal do Ceará), mas, enquanto isso não acontecia, os funcionários não ficaram parados e organizaram seminários, reuniões, oficinas – a única maneira que encontraram de manter a Rádio na pauta dos assuntos do dia.

É claro que, nos intervalos entre uma turbulência e outra, muita coisa boa aconteceu: programas inovadores foram criados, novos bolsistas ingressaram na Rádio, prêmios foram conquistados, parcerias nasceram, ouvintes foram cativados. E muita coisa boa continua a acontecer agora, neste período de águas mais tranquilas, como mostra a matéria da Raphaelle Batista. É por isso que a Rádio Universitária fascina: graças às paixões e projetos que a movem, está em constante ebulição, mas não perde a sua essência.

Débora Medeiros (8J) pesquisa a Rádio Universitária no seu trabalho de conclusão de curso e planeja continuar com o tema na pós-graduação.

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Rádio Universitária comemora aniversário com novidades

Rádio Universitária lança campanha hoje para comemorar seus 28 anos de vida; ao longo da programação, intelectuais e cantores do estado contam sua relação com a emissora

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Rádio comemora a partir de hoje seus 28 anos no ar (FOTOS divulgação)

por Raphaelle Batista (3J)

Uma campanha com depoimentos de ouvintes e colaboradores da Rádio Universitária está sendo lançada hoje, em comemoração aos 28 anos de existência da emissora. Intelectuais, cantores, compositores, nomes da comunidade acadêmica e as demais pessoas que acompanham a 107,9 farão relatos de suas histórias de vida, relacionando-as com a da Universitária FM.

Entre as personalidades, estão Calé Alencar (cantor, compositor e produtor musical), Dílson Pinheiro (apresentador do programa Ceará Caboclo) e Gigi de Castro (cantora e compositora). Os testemunhos terão um minuto de duração e serão transmitidos no intervalo dos programas durante trinta dias. A ideia será incorporada à programação normal caso o projeto seja bem sucedido.

Entre outras realizações, a partir da próxima semana será lançado um jornal bimestral sobre a Rádio. O jornal será distribuído nos campi da Universidade Federal do Ceará (UFC) e o intuito é tornar mais conhecida a história da Universitária FM e divulgar sua atuação nas áreas de Educação e Cultura, principais temas promovidos pela emissora.

Programação

A Rádio Universitária também aproveitou a ocasião comemorativa para realizar reformas, tanto na estrutura física do prédio quanto na programação. Segundo Bruno Lima, responsável pela publicidade da emissora, programas de curta duração, produzidos por alunos e professores do curso de Jornalismo da UFC, serão lançados em breve.

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O sonoplasta José Raimundo Lustosa é um dos funcionários mais antigos da casa

Resultado da pesquisa feita pelo Ipsos Marplan, instituto que é referência em pesquisa de mídia, as modificações que estão sendo implantadas refletem o perfil dos ouvintes, que foram considerados tanto quantitativa quanto qualitativamente. “O objetivo é aperfeiçoar a programação, ela [a pesquisa] vai ser um dos instrumentos desse aperfeiçoamento”, além de “viabilizar mais recursos para a rádio”, explica Nonato Lima, diretor geral da Rádio Universitária.

Memória

Desde 2007 na direção da emissora, Nonato implantou o Projeto Memória em maio do ano passado. Fitas de programas como Opinião, Centro de Debates e Reouvindo o Nordeste já estão com o conteúdo sendo catalogado. Além disso, está sendo feito o registro dos operadores de áudio, produtores e locutores que passaram pela Universitária FM.

O maior objetivo da recuperação do arquivo, antes esquecido em meio à poeira de uma das salas da Rádio, é disponibilizá-lo para pesquisas acadêmicas. Entrevistas com o escritor Jorge Amado e o economista Celso Furtado já estão disponíveis no site da rádio e é só uma prévia do que está sendo descoberto. “Quero que isso se transforme numa fonte de pesquisa real”, afirma Nonato.

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