por Thiago Fonseca, colunista do +jabá
A revista eletrônica Capitu discutiu mês passado se há espaço para a cultura nos meios de comunicação brasileiros. João Gabriel Lima, da Bravo!, afirmou que o jornalismo cultural tem pouco leitor, embora haja um número considerável de revistas de literatura, artes e cultura em geral sendo publicadas no Brasil atualmente, como a Bravo!, a Cult, a EntreLivros, a piauí, a Língua Portuguesa, a Discutindo Literatura, a Set, a Rolling Stone, entre outras.
Além disso, há a mídia eletrônica, responsável pela difusão mais ampla e livre de conteúdos culturais. Neste ramo, foram lembrados nomes como o Digestivo Cultural, o Overmundo, a Cronópios, o Omelete e o Burburinho, sem falar dos blogues, que são muitos e podem ser criados e mantidos por qualquer um(a) que queira produzir ou divulgar conteúdo ligado ao campo das artes. O problema, então, não seria mais o espaço inexistente ou o alcance ineficiente, mas os leitores que assim o são?
De fato, o Brasil não é um país caracteristicamente de leitores e, consequentemente, o público-alvo das publicações culturais é restrito, às vezes, sendo composto tão-somente por aqueles(as) que estão inseridos(as)no meio cultural, mas não podemos dizer que ele inexiste. Aliás, existe e é bastante fiel, por isso, sempre há espaço para quem estiver disposto a entrar na ciranda. O difícil é entrar na ciranda sem saber dançar a dança. Ninguém quer comprar nada que lhe, se for informativo, fale de coisas que já se sabe; ou se for formativo, repasse conceitos sem o mínimo senso crítico.
É como o mercado editorial científico, pois seu público é tão restrito quanto, mas as publicações estão aí, cada qual garantindo seu espaço por ter uma forma diferente de abordar as novidades. Não podemos confundir revistas, jornais e suplementos de cultura com fascículos de enciclopédia. Portanto, há que se levar em consideração o(a) leitor(a), pesquisando quais são suas expectativas, que tipo de informação ele quer encontrar, qual sua faixa etária, qual sua formação etc. A famosa pesquisa de mercado, já que, no final das contas, o que se quer é vender um produto.
Alcino Leite Neto, ex-editor do Mais!, da Folha de S.Paulo, e responsável pelo site Cronópios, expõe os três tipos de leitor(a) que essas produções encontram. O primeiro seria aquele que deseja informações gerais sobre os eventos e produtos culturais. Esse público quer informações corretas, simples, novas, se possível breves, sobre tudo o que há de mais relevante no mercado cultural do país e também do mundo. Portanto, trata-se de um público muito heterogêneo; uma revista desse tipo precisa atender um consumidor de formação tanto mediana quanto o erudito.
O segundo público ele chama de leitor participante. Trata-se de um sujeito que não só tem interesse nos fatos, mas vê a leitura como uma forma de participação no mundo e nos debates públicos. Então, independentemente da linha ideológica desse sujeito, ele tem interesse em artigos que estimulem a sua reflexão a respeito de temas de interesse geral, da saúde, de política, etc. É um leitor para o qual os fatos concretos e a boa informação de cunho jornalístico é tão importante quanto o debate crítico.
O terceiro tipo é o leitor especializado. Ele procura aquilo que é do interesse dele mais forte. Essas publicações especializadas podem adotar uma linguagem mais fechada ou mais aberta. O problema dessas revistas é que quanto mais especializada, mais ela tem problemas de distribuição, de manutenção, etc. Provado, pois, está que o leque para falar sobre cultura é grande e nada restrito. Daí o exemplo do +jabá, que abre as portas para que eu atravesse a rua e dê também meus pitacos sobre o mundo da cultura.
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