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Um jornalístico organizado por alunos do curso de Comunicação Social da UFC

Manifestantes negam interesse de partidos

Estudantes negam que manifestação tenha influência de partidos (FOTO Chico Célio)

Estudantes negam que manifestação tenha influência de partidos (FOTO Chico Célio)

Em nota de esclarecimento divulgada nesta manhã, os manifestantes que ocuparam a Reitoria na última sexta-feira (22) negaram que o protesto ocorrido durante a reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) represente interesse de partidos políticos.

Eles afirmam apenas cumprir as deliberações do V Congresso de Estudantes da UFC “por uma expansão de qualidade e contra o Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais)”. Segundo a nota, mesmo o Congresso sendo uma instância deliberativa maior, a diretoria do Diretório Central dos Estudantes (DCE) desobedece o que foi acertado nos quatro dias do evento.

O objetivo do último protesto era adiar a votação que permitiu a criação de sete novos cursos em campi na Capital e interior do Estado. “O projeto tem sido implementado de forma totalmente anti-democrática e sem o devido debate na sociedade”.

Para incentivar esse debate, os estudantes marcaram uma audiência pública para o dia 3 de junho, às 14 horas no auditório da Reitoria. “É preciso que estejamos a par de tudo o que está acontecendo com a nossa Universidade. Exigimos transparência da reitoria em suas políticas e que este debate seja ampliado para toda a sociedade cearense”, encerra a nota.
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“Essa política de ser contra tudo é ultrapassada”, diz secretária-geral do DCE

Reunião do Cepe termina com alguns feridos (FOTO Chico Célio)

Reunião do Cepe termina com alguns feridos (FOTO Chico Célio)

Depois da reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe), hoje pela manhã, a secretária-geral do DCE Edianny Lima, uma das votantes, não poupou os estudantes que ocuparam a Reitoria para protestar, sem sucesso, contra a aprovação de sete novos cursos nos campi do interior do Estado: “Essa política de ser contra tudo e todos é coisa ultrapassada”. Segundo ela, é preciso acabar com a ideia que alguns têm de que a administração superior quer destruir a Universidade.

As críticas de Edianny são dirigidas a cerca de 50 estudantes que protestaram hoje com cartazes e palavras de ordem. “Eles interromperam também a reunião no mês passado. Não deixaram ninguém falar”, acrescenta. Dessa vez, o protesto acabou em tumulto. Um cordão humano foi feito pelos seguranças da UFC para impedir a entrada do grupo na sala onde os conselheiros faziam a votação. Alguns tiveram ferimentos leves e prometeram prestar queixa à polícia. A Reitoria afirma que a política é de não violência.

Antes disso, no início da manhã, por volta das 8h30, 26 estudantes puderam acompanhar a reunião dentro da Reitoria, mas saíram, em protesto, quando o conselheiro Thiago Arruda, estudante de Direito e o único que votou contra os cursos, teve o pedido de adiamento da votação negado. Também foram impedidos de voltar à sala. “A gente quer abrir o debate com a universidade, que é um ambiente onde deve surgir essa compreensão, mas não é possível, porque a Reitoria se nega. Nós não somos contra a expansão, mas ela precisa ser de qualidade”, diz Thiago, que aponta como falhas, entre outras coisas, o aumento do número de vagas sem o proporcional aumento de financiamento público e até diminuição dos professores. “Atualmente temos 13/14 alunos para 1 único professor na UFC. Com o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), teremos 18 alunos para cada professor”.

Ele ainda acusa a gestão do DCE de apenas “acompanhar” as decisões sem rebater, indo inclusive em direção contrária ao acertado no V Congresso de Estudantes da UFC. “Foi aprovado que iríamos contra o Reuni no Congresso, mas não tem porque se colocar contra a expansão da Universidade se vários cursos estão juntos nisso”, justifica-se Edianny. “Esperar ter tudo perfeito não vai acontecer nunca. Temos que trabalhar pra que dê certo. E não adianta eles serem contra a expansão se não querem participar para ajudar”, conclui.

A intenção dos estudantes é que o debate seja aberto à comunidade universitária para que questões como estrutura dos cursos no interior possam ser discutidas. “Propomos um ciclo de debates em que a Reitoria iria apresentar um projeto detalhado explicando que expansão está sendo feita, com números, orçamento e, mais do que isso, o debate é necessário pra que a gente possa se perguntar o que queremos para além do Reuni”, diz Thiago.

A pró-reitora de assuntos estudantis, também integrante do Conselho, Clarice Gomes, e Edianny Lima aproximam os discursos em pelo menos um ponto: para elas, o debate existe, sim. É feito inicialmente em instâncias menores, nas coordenações e departamentos de cada curso, com professores e estudantes, e, posteriormente, remetido a apreciações superioras. “Os estudantes dizem que nós estaríamos implantando o Reuni de uma forma até irresponsável, mas já chegou R$ 1,5 milhão para a compra de livros, os professores substitutos estão sendo diminuídos. Em Sobral, por exemplo, ainda está desconfortável para quem estuda lá, mas estamos trabalhando para melhorar isso”, afirma Clarice.

Artes Cênicas (Fortaleza), Finanças (Sobral), Engenharia de Materiais (Cariri), Design de Produtos (Cariri), Engenharia de Softwares e Rede de Computadores (Quixadá) e Jornalismo (Cariri) foram os cursos aprovados em bloco. “Não discutimos na hora, porque já tínhamos tido acesso ao projeto antes”, diz Clarice. A expectativa da Reitoria é que, nas próximas reuniões, ainda outros dez passem pelo crivo dos conselheiros.

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