O professor Riverson Rios pode ter de renunciar à tutoria do PET da Comunicação em seu primeiro semestre de funcionamento; alunos confessam que ainda não entendem como o Programa funciona
Érico Araújo Lima (3J)
No último dia 26, o professor Riverson Rios, tutor do PET (Programa de Educação Tutorial) do Curso de Comunicação Social da UFC, comunicou aos bolsistas do grupo a possibilidade de ter que renunciar ao cargo de tutor do Programa. Sua saída ainda não está definida, e ele procura tratar do assunto com cautela.
Riverson falou com a equipe do +jabá sobre sua possível saída da tutoria. Segundo ele, será difícil acumular as aulas na graduação e no mestrado e seu novo cargo de vice-coordenador com a tutoria do PETCom. Por ora, não há nenhum nome possível para assumir a função de tutor, o que deixa a decisão de renúncia em suspenso. Até agora, ele não assinou nenhum documento de desistência na Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). Ele diz que é preciso levar a questão à reunião de departamento do Curso de Comunicação, quando poderá ser definido, ou não, um novo tutor para o PETCom. O professor disse que continua orientando o PET, como tutor protempore, e destacou a necessidade de não se “gerar incertezas” a respeito do futuro do grupo.
O PET chega à Comunicação
Mas o Programa de Educação Tutorial é novidade no Curso de Comunicação Social – chegou há apenas alguns meses. No início deste ano, foi lançado edital para seleção dos alunos de 3° e 4° semestres que integrariam o PET da Comunicação (PETCom), e desde março, são realizadas as reuniões do grupo. Mas o que é PET? O que ele tem feito? Boa parte dos estudantes do Curso não sabe muito sobre o assunto.
Vanessa Madeira, estudante de Jornalismo do 3° semestre, revela que não se considera muito informada sobre o PET; sabe apenas onde fica a sala e conhece três bolsistas do grupo. Para ela, um dos problemas dessa falta de informação é que “as coisas às vezes acontecem, e não se fala que foi o PET que fez”.
Já João Carlos, da mesma turma de Vanessa, afirma ter um pouco mais de noção sobre o que é o PET, embora também não se considere muito informado sobre o que o grupo tem feito. João vê no PET um grupo de incentivo, “que deve dar apoio a atividades dentro do Curso, promover maior interação entre corpo discente e docente”.
O PET na estrutura da Universidade
Para saber mais sobre o Programa, o +jabá conversou com o ainda tutor do PETCom. Segundo o professor Riverson, as universidades brasileiras começaram a ter PETs nos anos 1970, por iniciativa do Ministério da Educação (Mec). O Programa consolidou-se, ao longo dos anos, na estrutura acadêmica e permaneceu ligado diretamente a um órgão do Mec, a Secretaria de Ensino Superior (Sesu). Nos cursos que têm PET, não há vínculos diretos do Programa com as coordenações, “embora o PET funcione em concordância com os interesses da coordenação – uma boa convivência é salutar”, diz Riverson.
O PETCom, entretanto, não é vinculado à Sesu. Ele faz parte do conjunto de PETs institucionais, criados pela própria UFC há dois anos. Os princípios de funcionamento permanecem os mesmos, a diferença está apenas no órgão ao qual o Programa deve se reportar – este órgão, na UFC, é a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd). As atividades, segundo o tutor, permanecem as mesmas, assim como os direitos e a remuneração de tutor e bolsistas; a única diferença, diz Riverson, é “o controle mais local”.
Atualmente, em toda a Universidade, existem 30 PETs, sendo 13 subordinados à Prograd, caso dos PETs da Comunicação Social, Educação Musical e Sistemas de Informação, e 17 ligados à Sesu, o que ocorre nos cursos de Medicina, Engenharia Civil e Economia, por exemplo.
O lugar do PET em um curso de graduação
Segundo o tutor, a importância de um PET em um curso reside no fato de sua maior liberdade em criar atividades extracurriculares, como projetos de extensão, grupos de estudo, mini-cursos, palestras e eventos. Para Riverson, o curso ganha com isso, torna-se capaz de mobilizar mais o espaço acadêmico. O tutor destaca, entretanto, que isso não exclui a possibilidade de um curso sem PET empreender essas atividades: “a vantagem do PET é a regularidade”, pontua.
Riverson considera importante, também, o envolvimento do conjunto de alunos, professores e servidores na formulação de projetos para o PET; ele defende que o Programa não pode ficar isolado. O tutor quer que os alunos deem sugestões sobre ações que possam ser feitas para melhorar o curso. Convida qualquer pessoa interessada a procurar um bolsista ou o próprio tutor e garante espaço para exposição de idéias nas reuniões semanais do grupo, todas as sextas-feiras das 13 às 14 horas. “O PET é do curso: está aberto a todos que queiram participar, propor, discutir assuntos ligados ao curso, trazer idéias, ajuda”, diz o tutor. A sala provisória do PET é compartilhada pelos membros do grupo de extensão “Liga Experimental de Comunicação” e fica entre os dois laboratórios de informática, no 2° andar.
A bolsista do PET, Natalia Marques, acredita que os alunos do curso não têm se envolvido, ainda, com as atividades do grupo porque “não sabem muito o que é o PET”. Ela percebe um certo receio da parte dos estudantes em se aproximar, muitas vezes porque “pensam que a sala do PET é só da Liga”. Natalia aponta que a ausência de uma identidade visual, já que a logo está sendo desenvolvida pelos alunos de Introdução à Publicidade da professora Glícia Pontes, dificulta a divulgação das atividades do grupo. A expectativa, diz Natalia, é resolver o problema do desconhecimento do grupo na palestra inaugural do PET com a jornalista Adísia Sá, prevista para o dia 9 de junho, caso não sejam necessárias alterações em virtude da renúncia do tutor.
A composição do PETCom
Todo PET seleciona 4 bolsistas remunerados a cada ano, que podem permanecer no grupo até a conclusão do curso, no 8° semestre. Em um PET que começa suas atividades, caso do PETCom, são selecionados quatro novos bolsistas a cada ano que se segue, de modo que até o 4° ano de existência do grupo, devem ser totalizados 12 bolsistas remunerados, ponto de consolidação do grupo. A idéia desse sistema de seleção é, segundo Riverson, garantir “uma rotatividade salutar para o grupo”.
O PET da Comunicação tem suas quatro bolsas distribuídas entre alunos das habilitações de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda. São do Jornalismo os bolsistas Natalia Marques, do 4° semestre, e Paulo Araújo, do 3° semestre; são da Publicidade José Ângelo, do 3° semestre, e Priscila Façanha, do 4° semestre.
Riverson diz também que a Prograd incentiva a seleção de bolsistas não remunerados, para aumentar o número de pessoas contribuindo e para substituir algum bolsista remunerado desistente. No processo de seleção para a primeira turma do PET, o tutor optou por selecionar quatro bolsistas voluntários, todos do Jornalismo: Anamélia Sampaio (4° semestre), Érico Araújo Lima (3° semestre), Isabel Paz Sales (3° semestre) e Yuri Alexsander (4° semestre). Todos os bolsistas do PET devem dedicar 20 horas semanais às atividades do grupo.
O cargo de tutor deve ser ocupado por um professor doutor, efetivo no quadro de docentes e com trabalho acadêmico no curso. A rigor, ele pode ficar pelo tempo que quiser ou até que a Prograd considere sua substituição necessária. Riverson Rios, que agora pode ter que passar o cargo para outro professor por decisão própria, foi também o autor do projeto de criação do PETCom, elogiado pela Prograd por contemplar a questões referentes à interdisciplinaridade.
O PETCom até agora
O PETCom tem várias ideias e alguns projetos encaminhados, segundo a bolsista Natalia. Lançou uma campanha de arrecadação de mantimentos para as vítimas das enchentes ocorridas no Ceará nas últimas semanas e incentiva as atividades de dois grupos de estudo, o TVD (Grupo de Estudos de TV Digital) e o Getec (Grupo de Estudos de Tecnologia e Comunicação). O grupo tenta organizar, ainda, a palestra inaugural com a jornalista Adísia Sá, que deverá falar sobre a história do Curso de Comunicação Social.
Há, também, alguns projetos planejados, como a criação de um cineclube, a produção de vídeos didáticos em parceria com o PET da Faculdade de Medicina, a organização da Feira das Profissões no início de agosto, o resgate da memória do curso, a realização da Semana de Comunicação no 2° semestre, um ciclo de palestras e a organização do Ignite (ver abaixo).
Muitos dos projetos idealizados requerem planejamento de longo prazo, e o sucesso das atividades dependem de divulgação e da integração dos alunos, aponta Natalia. Para colaborar, diz Natalia, basta se apresentar a algum representante do PETCom – “Quem quiser, é só chegar e falar”, diz.
mais
» A Feira das Profissões é organizada pela Pró-Reitoria de Graduação e tem nos PETs e nos monitores dos cursos de graduação os agentes mobilizadores das atividades. Estava prevista para os dias 27, 28 e 29 de maio, mas foi adiada para os dias 5, 6 e 7 de agosto “devido a razões técnicas e pelas incessantes chuvas”, conforme a Prograd.
» O Grupo de Estudos de TV Digital (TVD) começou suas atividades no último dia 26 e se reúne, semanalmente, às terças-feiras das 16 às 17 horas. O professor Nilton Júnior foi quem idealizou o projeto e o apresentou para o PET, que passou a incentivar e divulgar as reuniões.
» O Grupo de Estudos de Tecnologia e Comunicação (GETEC) dá início a suas atividades no dia 29 de maio, a partir das 10 horas. O PET também participa da divulgação, e o professor Riverson está diretamente envolvido no projeto.
» O ciclo de palestras já se inicia com a fala de Adísia Sá. Espera-se organizar, ainda, um conjunto amplo de debates, a ser planejado no longo prazo e com regularidade ao longo dos meses. Uma idéia já considerada envolve discussão sobre a crise econômica mundial.
» O Ignite é um projeto mundial, iniciado nos Estados Unidos, que propõe a estudantes e professores o desafio de apresentar trabalhos num tempo de 5 minutos em locais de lazer. A idéia é gerar descontração.
» O PET já tem site e e-mail: petcomufc@gmail.com.
Filed under: Curso, Comunicação, estudantes, PETCom, UFC