O novo professor Jamil Marques é pós-doutor em Comunicação pela UFMG; ele admite ser “rigoroso”, até mesmo “chato” na sala da aula.
por Érico Araújo Lima (6J)
Ele saiu da graduação do Curso de Comunicação Social há poucos anos. Hoje, é professor efetivo e colega de muitos professores dos quais já foi aluno, como Silas de Paula e Júlia Miranda. Silas foi também o orientador de monografia e teve o então graduando como bolsista de iniciação científica. No semestre passado, Júlia esteve na banca que aprovou Francisco Paulo Jamil Almeida Marques como novo professor da UFC. Ele vem assumir a vaga de um dos grandes que já passaram pela Comunicação, o professor, agora aposentado, Gilmar de Carvalho. “Uma honra” – faz questão de dizer.
Teve trajetória destacada como aluno e como pesquisador. A escolha pela Academia foi sendo consolidada, e o interesse por ciência levou Jamil a se dedicar a grupos de pesquisa e a delimitar temas de estudo. Escreveu para o Jabá (Ah, mas isso ele não coloca no Lattes…) e, quando concluiu a graduação em 2002, decidiu logo emendar o mestrado, seguido pelo doutorado e pelo pós-doutorado. O pesquisador sedimentava o interesse pela relação entre Comunicação, Tecnologias e Política. E, já na volta como novo professor, articula um grupo de pesquisa sobre “Internet, participação e representação política”.
Depois de passar tempos em diferentes estados durante a formação acadêmica, como Bahia e Minas Gerais, Jamil retorna à UFC animado: “O Curso mudou muito, melhorou bastante. Na minha época, mal tinha câmera fotográfica”. Lembra, inclusive, de ocasião em que ele e seus companheiros de C.A. (Centro Acadêmico, que mudaria para Diretório Acadêmico, nosso atual DATA) levaram o então reitor Roberto Cláudio a uma das salas do curso para sentir o calor que os alunos passavam nas aulas. “Eu me lembro do reitor suando”.
Então, a política era um interesse, não só na teoria, mas também na prática? “A gente, às vezes, tem que tomar cuidado para não misturar as coisas. Claro que tenho minhas preferências, mas a preocupação maior é com a análise”, defende.
Jamil ministra as disciplinas de Éticas e Práticas Jornalísticas, Ética e Legislação no Jornalismo e Teorias do Jornalismo. Ainda que ligadas a temas mais gerais, o professor busca contribuir para a discussão em sala com assuntos que lhe interessam como pesquisador. “Consigo trazer contribuições dos autores da minha área” – assim, acredita enriquecer o debate e instigar os alunos. Pede também que os estudantes tragam suas próprias experiências, sobretudo na disciplina de Éticas e Práticas, cursada por alunos que já têm algum contato com o mercado de trabalho. “Técnica e teoria são fundamentais. Uma serve para ajudar a pensar a outra”, destaca.
E como seria o professor Jamil em sala de aula? Ele não hesita: “Sou rigoroso, chato. Chego sempre na hora, faço chamada sempre, duas vezes na aula. Não me preocupa reclamação”. Faz prova teórica, cobra fichamento, mas é aberto a negociações com os alunos: “se eles participam da aula, debatem, não precisa de fichamento”. Jamil acredita que esse estilo é uma questão de compromisso com a coisa pública. “Sou grato à UFC e ao Estado pela minha formação. Os alunos também devem ter esse compromisso”.
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