+jabá!

Um jornalístico organizado por alunos do curso de Comunicação Social da UFC

Seu Alves, o Sapateiro

Através das lentes e da sensibilidade de uma fotógrafa, o +Jabá convida os leitores a conhecerem o autor das frases nos muros das redondezas do Terminal do Papicu – antes que apaguem tudo.

Texto e fotos de Iana Soares (xJ)

Ele é branco, azul e vermelho, descobriu o segredo da felicidade e avisa logo: quem guarda com fome, o gato vem e come. Nós, que passamos apressados pelas ruas da cidade, merecemos ler as letras e as palavras de gentileza. As palavras pintadas por Seu Alves, o Sapateiro.

Este ensaio é um convite para olharmos para a cidade e senti-la. Um convite para descermos do ônibus, do qual vemos aquele senhor e seu muro colorido, e conversarmos. Antes que apaguem tudo, mais uma vez.

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Festival homenageia centenário de Patativa do Assaré

FESTCULTUFC

O II Festival UFC de Cultura homenageia, a partir de segunda-feira (9) até sábado (13), o centenário de Patativa do Assaré; na lista de atrações, exposição no MAUC sobre o poeta e show de Fagner

A Universidade Federal do Ceará (UFC) será palco de diversas manifestações artísticas no II Festival UFC de Cultura. Com entrada gratuita aos estudantes, o evento, que acontece a partir da próxima segunda-feira (9) e vai até dia 13 deste mês, contará com uma programação que inclui conferências, shows, exposições, mostra de cinema e oficinas, além de lançamentos de livros e mostras de bandas universitárias.

A proposta de realizar a primeira edição do festival surgiu no início do ano passado, quando o Diretório Central de Estudantes (DCE) procurou o então reitor Ícaro Moreira para discutir uma mostra competitiva de música dos estudantes da UFC.

Com a iniciativa, o professor Ícaro e o Coordenador de Comunicação Social e Marketing da UFC, Paulo Mamede, resolveram agregar outras ações na área de cultura ao projeto. “A ideia foi pensar um evento que entrasse para o calendário cultural da Universidade e para o calendário cultural do estado do Ceará”, pontua Mamede.

A participação do DCE, principal idealizador do Festival, já foi solicitada pela gestão recém-empossada para duas ocasiões do evento: participação na mesa de Conferência do sociólogo e cientista político, Emir Sader, na quarta-feira (11), e realização de uma performance na mesma noite do show do Mundo Livre S/A, na sexta-feira (13).

Patativa, segurança e financiamento

O evento recebeu o nome de Festival Ecos de 68 em 2008, relembrando “o ano que não terminou” e o legado das manifestações culturais do período. Desta vez o II Festival UFC de Cultura terá como mote o centenário do Patativa do Assaré (1909 – 2002) – cujo rosto passou a estampar o muro do Centro de Humanidades 2 e os bancos do Bosque do Centro de Humanidades 1. Como parte das homenagens ao poeta do Assaré, o diretor do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (MAUC), Pedro Eymar, prepara o espaço para oferecer a exposição Patativa Centenário.

O festival terá a segurança reforçada através da contratação de serviço privado, além da segurança terceirizada da própria UFC. De acordo com o Coordenador de Infraestrutura e Transporte, Roldão Gomes, o campus do Pici recebe quarenta seguranças a mais; a Concha Acústica, trinta – e cinquenta a mais para reforçar o apoio durante o show do cantor Fagner. Paulo Mamede ainda acrescenta: “Nós vamos evitar, por questão de segurança, a venda de bebida alcoólica dentro [da Concha Acústica]“.

O financiamento dos custos do Festival tem maior parte da sua origem na Lei do Mecenato – lei de incentivo à cultura do Governo do Estado. Banco do Nordeste, Banco do Brasil, Prefeitura Municipal de Fortaleza, Funcap (Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico) e a empresa de turismo Acetur também ajudaram a custear os gastos.

De custeio interno da universidade, contribuíram o Cetrede (Centro de Treinamento e Desenvolvimento), a FCPC (Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura) e a Astef (Associação Técnico-Científica Engenheiro Paulo de Frontin).

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» O que é a Lei do Mecenato – É o fomento das atividades culturais através da junção entre recursos públicos e particulares que tenham renúncia fiscal, fixada em no máximo 2% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias. Na ação, o Estado renuncia parte do imposto devido em favor de projetos e ações culturais da sociedade civil.

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Sob o sol febril de Iracema – parte 1

IMGP0145edaeComeça lá pelo fim de junho: a faixa de areia salpicada de prédios com janelas de vidro espelhado recebe turistas de todas as partes do mundo. Não é novidade alguma para quem mora por aqui. Porém o +jabá passeou pela Praia de Iracema durante a Alta Estação e publica uma série de textos descompromissados sobre alguns encontros espontâneos com personagens que vão além dos vendedores ambulantes, turistas do Norte e Sul e jovens prostitutas – velhos conhecidos deste cartão postal fortalezense.

Por Yuri Leonardo (6J).

O clima abafado e o sol tinindo obrigam qualquer visitante a apertar os olhos. Os desbravadores da Praia de Iracema não podem pisar na areia calçando sapatos de couro ou vestindo calças sociais. Há risco de queimaduras de 3º grau, combustão instantânea ou algo que o valha. Após uma pergunta ao garçom e segundos ao desvendar o funcionamento de uma tranca-gambiarra do banheiro da barraca Satehut, ali numa altura boa da Av. Beira Mar, troco o traje de trabalho por um par de chinelos havaianos, bermuda e blusa abotoada pela metade.

Na areia, D. Maria Amélia da Conceição me pergunta se quero sentar na mesa onde ela está. Sol forte dificulta a vista. Recuso sorrindo e digo que estou esperando companhia, mas paro ao lado dela, entre europeus, americanos e brasileiros sulistas que turistavam durante uma segunda-feira de julho em Fortaleza. A senhorona solta: “é que amanha faço aniversário”. Quantos anos vai completar amanhã? “Setenta e cinco”, pontua.

Parabéns!, sorrindo. Despedida. Aceno. E procuro uma mesa vazia.

Receio de perguntar se vai passar o resto da vida vendendo flores na praia.

Já fizeram até reportagem sobre ela – contou depois, quando sentou à minha mesa minutos após nosso primeiro encontro.

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D. Maria Amélia diz “eu te amo” para turistas do norte europeu que se bronzeavam. Uma das estrangeiras não entende e encara a quase-75-anos, que veste um blusão com uma figurinha curiosa de braços abertos e uma legenda ABRAÇA-ME. Repete: “eu te amo, bonita, eu te amo”. As turistas trocam frases em grunhidos nórdicos. Não dão dinheiro algum à Dona Amélia “pra ajudar a comprar bombom e chilito pra vender aqui na praia amanhã”.

Uns minutos de conversa. Ela se levanta e segue pela areia, para garantir os 75 anos no dia seguinte.

A senhora vai trabalhar mesmo amanhã, no seu aniversário? “É…”, coça a cabeça de cabelinhos ralos, branco, cinza, preto, sol apertando os olhos de qualquer um. E Amélia se mistura à luz intensa que domina a vista branca, confundindo o corpo junto aos estilhaços brilhantes dos óculos escuros dos turistas, de cascos de cerveja dourados na areia e das cadeiras de plástico branco das barracas.

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